Músicas de ‘Equilibrivm II’, de Anitta, não fazem jus à grandiosidade do projeto

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Capa do álbum ‘Equilibrivm II’, de Anitta
Divulgação
Título: “Equilibrivm II”
Artista: Anitta
Nota: 6,5/10
Para Anitta, 2026 está sendo um ano frutífero. Em abril, ela lançou o disco “Equilibrivm” e se arriscou em novos horizontes musicais e temáticos, trazendo a espiritualidade para o cerne de seu trabalho.
Foi um risco calculado que deu certo, e ela se viu bem-recebida por críticos e fãs como poucas vezes em sua carreira. Então, Anitta quis mais e, nesta quinta (23), lançou a parte 2.
Ao falar da nova etapa, a cantora revelou que se inspirou na primeira para reproduzir o que deu certo. “Vocês amaram [o reggae no primeiro disco], então falei: ‘A gente precisa ter mais reggae””, disse em um dos vídeos em que explica faixa a faixa.
O disco reflete essa pressa de se manter no coração do público e da crítica. Elaborado e lançado em cerca de três meses, “Equilibrivm II” busca mergulhar ainda mais fundo nessa nova fase — mas musicalmente, fica na superfície, aquém do antecessor e da grandiosidade do projeto.
Projeto é melhor que suas músicas
Como muitos álbuns pop, “Equilibrivm” não é só um conjunto de músicas, mas um projeto cheio de desdobramentos.
Junto desta segunda parte, Anitta lançou um curta de 35 minutos, que rendeu um merecido burburinho: é uma belíssima colagem de recursos, participações e referências, explorando a relação da artista com ela mesma, a carreira, a imagem e a fé. E segue sendo admirável ver uma artista deste porte ostentando sua relação com o candomblé.
Mas no que diz respeito às músicas, “Equilibrivm II” acaba servindo melhor como trilha sonora de um grande projeto audiovisual do que como álbum. Não era para ser o contrário?
Anitta em imagem do álbum ‘Equilibrium II’
André Nicolau / Divulgação
Enquanto os visuais são monumentais, as canções são mornas. Há exceções, como a potente “Sal Grosso”, mescla de funk e dancehall com o cantor caxiense KBrum; e “Oke”, que consegue misturar Anitta e os artistas Brô MC’s e Katú Mirim em uma inebriante “rave indígena”.
Também é um destaque a etérea “Contemplação”, com harmonias cristalinas e os coros hipnóticos do Grupo Ofá.
Mas é no recheio, quando Anitta mira nos gêneros mais tradicionais da música brasileira (ora bossa nova, ora samba, ora forró), que tudo soa menos interessante.
Na teoria, a fórmula está lá, com credenciais irrefutáveis: Maria Bethânia entoa um poema com sua voz de arrepiar, Alceu Valença empresta seu charme para um forró e há até uma interpolação de Carmen Miranda.
Mas boa música não é formulaica, e aqui, há várias faixas pouco marcantes. Boa parte das 16 músicas tem arranjos lavados e letras raramente inspiradas — caso de “Eu Não Sou Santa”, “Respira” e por aí vai. Anitta é uma intérprete de bela voz, mas imprime pouca emoção; a execução fica mais “coach good vibes” do que a potente artista brasileira que ela é.
Mais estranha ainda é a versão em espanhol de “Azul”, do Djavan, em que ela canta “el amor e’ azulito”. No primeiro disco, a artista já incluiu faixas em outras línguas (é o conceito de equilíbrio entre idiomas, será?); agora, Anitta volta a fazê-lo para… contemplar o público que fala espanhol, segundo ela. A escolha segue destoando, já que o resto do disco fala de brasilidade para brasileiros.
Anitta em imagem do disco ‘Equilibrium II’
Reprodução / Teaser X Anitta
Anitta é enfática ao dizer que “Equilibrivm”, partes um e dois, formam o projeto mais importante de sua carreira. Não à toa: escancarar sua fé em orixás, honrar a cultura nacional e as expressões afro-brasileiras é um ato louvável — sobretudo para a maior artista pop do país.
É, de fato, um projeto com capricho na embalagem, nos visuais e na narrativa. Mas se a proposta é tão corajosa, musicalmente, o disco arrisca muito pouco. A gente sabe que Anitta pode bem mais.

Fonte: G1 Entretenimento